Governador Confirma que Estado já Sabia que Ataques iam Acontecer

Qui - 10/09/2009

Luana Rocha | Redação CORREIO
Uma circular interna, após a transferência do traficante Cláudio Campanha, foi distribuída na cúpula da Polícia Militar para alertar sobre a possibilidade de ataques de bandidos em represália à ação do estado, que levou o detento para o presídio de Mato Grosso do Sul. A informação foi dada na quarta-feira (9) pelo governador JaquesWagner, em entrevista ao CORREIO, antes do violento ataque ocorrido à noite em Tancredo Neves. “A circular já avisava aos policiais que era para ter cautela, porque algumas ações poderiam ocorrer”, afirmou Jaques Wagner.

FÓRUM: O QUE PRECISA SER FEITO PARA SOLUCIONAR O PROBLEMA DA VIOLÊNCIA EM SALVADOR?
O governador, no entanto, justificou a ausência de uma ação mais efetiva de combate para evitar os atos de vandalismo - já que a reação dos bandidos era esperada. Segundo ele, há dificuldade de controlar ações pontuais e inesperadas como as que vêm acontecendo em Salvador. “Isso não é uma coisa simples. Se aparece um carro com quatro ou cinco homens e esses jogam um coquetel Molotov num posto não dá para adivinhar. Não tenho aparato suficiente para colocar um policial por metro quadrado. Mas estamos monitorando com o serviço de inteligência”, disse.

Com o início dos ataques, na segunda-feira, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) convocou 12 equipes do interior do estado - cerca de 50 homens - , que vieram participar do desfile de Sete de Setembro, para permanecer na cidade por conta dos incidentes. A determinação partiu do próprio secretário César Nunes. Além disso, equipes do Batalhão de Choque, Rondesp, Esquadrão de Motociclistas Águia e as Companhias de Policiamento Especializado da Caatinga, Semiárido, Cerrado, Litoral Norte, Sudoeste e Graer também estão participando das ações de combate. O número total de policiais que foram convocados para ação não foi confirmado pela SSP por uma questão, segundo eles, “estratégica”. Mas estima-se que o quadro seja de aproximadamente 200 homens.

A quantidade de policiais baianos deslocados para a operação é a principal justificativa do governador para não convocar a Força Nacional de Segurança. “Estão tentando politizar uma coisa que não existe. Não convoco (a Força) porque ainda não acho necessário. Se houver uma recomendação técnica para isso, farei. Só que os policiais que já deslocamos são suficientes para acalmar a situação”, prosseguiu Wagner.

O governador aproveitou para criticar discurso de “alguns políticos de oposição”. Para ele, existe um “aproveitamento para taxar o governo de incompetente”. “Querer fazer dessa situação um cavalo de batalha não é bom. Esse tema coloca a sociedade e a cidadania contra a marginalidade. Qualquer sugestão é bem-vinda. Não estou falando que não aceito críticas, mas não trabalho com alarde”, ponderou. Jaques Wagner também pediu contribuição da população no combate às ações violentas. “Peço que as pessoas liguem para o Disque-Denúncia para avisar de alguma movimentação estranha. Isso ajudará nossas ações. E o segredo da identidade será mantido”, assegurou o governador.

Módulos podem ser substituídos
O governador afirmou que está sendo avaliada a possibilidade de acabar com os módulos policiais. “Existe um estudo que pode optar por isso”, explicou. Porém ele disse acreditar que a substituição de pontos fixos de policiamento por uma ronda nos bairros é melhor. “Eu considero que, para o tamanho Salvador, seja mais efetivo ter tropas em movimento. Mas não sou nenhum técnico. Isso precisa ser ainda avaliado”, ponderou. Atualmente, o Ronda nos Bairros atua nos bairros de Tancredo Neves e Periperi. O programa foi lançado em setembro do ano passado, mas ainda não conseguiu ampliar a atuação para além dessas localidades.

Fonte:
(Notícia publicada na edição impressa do dia 10/09/2009 do CORREIO) http://correio24horas.globo.com/noticias/noticia.asp?codigo=35459&mdl=29

008 - Disque Denúncia