
Felipe Amorim | Redação CORREIO
Os 14 integrantes do segundo escalão da facção criminosa conhecida como Comissão da Paz, liderada pelo traficante Cláudio Campanha, embarcaram na quinta-feira (10) num voo com destino ao presídio federal de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná. A transferência foi motivada pela onda de violência que tomou conta de Salvador desde segunda-feira. Nos últimos dias, bandidos ligados a Campanha atacaram módulos e policiais militares e incendiaram ônibus na cidade, por conta da transferência do traficante para um presídio de segurança máxima em Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.
“Ao perder as suas lideranças, o seu segundo escalão, sem sombra de dúvida isso enfraquece essa facção criminosa”, observou o secretário de Segurança Pública, César Nunes, que admitiu a pressa na viagem.“Nós já tínhamos essa intenção, mas com esses ataques se fez necessária essa medida emergencial”, revelou Nunes, que acompanhou ontem (10) o embarque dos presos, na Base Aérea de Salvador.
O secretário também confirmou a informação, antecipada pelo CORREIO com exclusividade, de que as ordens para os ataques eram dadas de dentro do presídio por meio de telefones celulares.No entanto, Nunes não especificou qual dos detentos comandava os atentados do interior da Unidade Especial Disciplinar (UED), no Complexo Penitenciário do Estado, na Mata Escura. “Todos estavam participando dos atentados que tivemos nos últimos dias em Salvador, através de celulares e por ordens que foram dadas pessoalmente durante as visitas. Elas partiam de todo o grupo de Cláudio Campanha”.
Ataques
O secretário admite que as transferências não devem ser suficientes para conter os atentados. “Não acredito que acabe com essa onda de violência. Mas essa era uma medida necessária para nós desarticularmos essa quadrilha. E em Catanduvas, sem dúvida nenhuma, eles não terão contato com seus liderados”, assegurou Nunes.
Não está descartada a convocação da Força Nacional de Segurança para fazer frente às ações criminosas, mas, segundo Nunes, por enquanto não será necessário. “Mas se necessário a gente solicita. Segurança pública em primeiro lugar, isso é que é mais importante”, afirma.
Dois dos presos embarcaram mais cedo, por volta das 9h de ontem (10), em um voo comercial, escoltados por agentes policiais. A medida foi tomada pois não havia espaço suficiente na aeronave que levou os outros 12. À tarde, o embarque foi feito sob forte esquema de segurança. Três viaturas e dez homens do Centro de Operações Especiais (COE) da Polícia Civil escoltaram o comboio que partiu da UED.
Escolta
Na base aérea, estavam à espera da dúzia de criminosos dez homens da Força de Segurança Nacional e um turboélice Brasília VC 97, da Força Aérea Brasileira (FAB). O avião, com capacidade para 27 pessoas, decolou às 13h45, com a escolta da Força de Segurança a bordo, levando os membros da Comissão da Paz para uma estada de 360 dias, prorrogável por igual período, em Catanduvas.
As transferências foram autorizadas pelo Ministério da Justiça “em regime de urgência e caráter excepcional”, segundo nota do próprio ministério, por conta dos ataques em Salvador. O promotor da Vara de Execuções Penais Roberto Gomes conta que recebeu a solicitação da Secretaria de Segurança Pública (SSP) na tarde da quarta-feira. Ele deu parecer favorável ao pedido da SSP e solicitou ainda a aplicação do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), para sete dos presos que já foram condenados.
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